Revista Car and Drive - janeiro 2008


Revista Veja São Paulo - 18/10/2006

 

PELOS GESTOS, O ALERTA

Os sinalizadore de pista advertem os competidores sobre as várias ocorrências durante
as corridas.

O público que assiste às corridas no autódromo de Interlagos talvez desconheça a atividade do
grupo de funcionários que agita bandeiras na pista e em postos espalhados no circuito. Os
sinalizadores de pista são profissionais de variadas formações, como médicos, donas de casa e
estudantes, que atuam por paixão ao automobilismo. Dedicam dois finais de semana por mês
para ver de perto a emoção das corridas. São espécies de voluntários. Ganham ajuda de custo
de cerca de R$ 60 pelos três dias de trabalho (sexta, sábado e domingo).

Em São Paulo, duas equipes de sinalização se revezam na tarefa, conforme o calendário nacional
ou paulista. Elas são a Speed Fever Sinalização e Radiocomunicação e a Interlagos Sinalização e
Resgate. Atuam há duas décadas e hoje contam com 150 funcionários cada. Ficam subordinadas
na corrida à direção de prova.

Seus funcionários trabalham em vários pontos da pista. Três ocupam cada um dos 19 postos de
Interlagos, entre retas e curvas. Mas há ainda o coordenador do sistema de comunicação de
rádio, o coordenação de ocorrências (relata batidas e ultrapassagens), o chefe de pista
(orienta os sinalizadores), além de duas pessoas que ficam fixas no Posto de Sinalização
da Direção de Prova (PSDP).

Nos pontos do circuito são usados sete bandeiras. Duas amarelas indicam perigo, enquanto
que a vermelha e amarela denunciam a falta de aderência do carro. Já a vermelha é prova
interrompida, a azul é carro lento e a verde é pista livre. Por último, a branca avisa a
entrada do carro de serviço.

Já no PSDP, o sinalizador usa bandeiras para largada, penalização ao piloto, avisa entrada do
safety car (carro de salvamento) na pista e agita bandeira quadriculada na chegada. Exceção
feita à Fórmula 1, quando a quadriculada é dada pelo diretor de prova.

Caderno "A gazeta motor" do Jornal "A Gazeta Esportiva" 29 de Setembro de 2001

 

PAIXÃO PELO AUTOMOBILISMO É QUESITO FUNDAMENTAL
PARA SER UM SENALIZADOR

Antes de integrar qualquer uma das duas equipes paulistas de sinalização de pista no circuito
de Interlagos, a pessoa deve preencher alguns requisitos básicos.

Segundo Orlanda Costa e Silva, da Interlagos Sinalização e Comunicação, antes de tudo, o
interessado precisa ser realmente apaixonado pelo automobilismo.

A etapa seguinte é frequentar o curso básico de sinalizador. Ele consiste em um dia de aula
teórica, na qual é explcicado o regulamento desportivo da Confederação Brasileira de
Automobilismo (CBA) e os procedimentos de pista, além de uma avaliação escrita, seguida
da fase prática.

Se aprovado, o futuro sinalizador também será analisado em um dia de aula prática na pista.
Se tiver sucesso, será escolhido.

Roberto Barranco, dono da Speed Fever Sinalização e Radiocomunicação, ressalta que uma das
exigência de sua empresa na hora da seleção para a função de sinalizador é que o candidato
tenha no mínimo 16 anos.

Exigência cumprida, o interessado participa de um curso gratuito nos fins de semana, com aulas
teóricas e práticas. Depois é submetido à avaliação.

Mais informações sobre o curso de sinalizador da empresa podem ser obtidas no site
www.speed-fever.com.br (FDC)

Caderno "A gazeta motor" do Jornal "A Gazeta Esportiva" 29 de Setembro de 2001

 

NOVE ANOS

... "foi no dia 23 de agosto de 1992, que eu e mais alguns alucinados entramos na pista
do autódromo de Londrina, junto com o pessoal da SPEED FEVER, pra sinalizar a primeira
corrida do recem inaugurado autódromo.

OBRIGADO:

primeiramente a DEUS, que é o responsável mor por estes anos de labuta;

e a todos que direta e indiretamente fazem parte desta história.

Não vou citar nomes, mas vc sabe o quanto é especial para nós.

Mensagem recebida da Equipe de Sinalização RED FOOT RACING, assinada por Lucas
Wesley Lima Pradal.

 

"Bandeirinhas-tietes auxiliam o circo do automobilismo

Fãs se oferecem para trabalhar na sinalização de corridas apenas pelo
prazer de participar

Os funcionários do serviço de sinalização do Autódromo José Carlos Pace em Interlagos,
ganham menos que uma faxineira por um dia de trabalho. Os bandeirinhas, com são
conhecidos, não se importam em tomar chuva ou ficar torrando no sol, nem em passar
frio e fome durante as corridas de carros e motos.

Esses trabalhadores-tietes adoram o ronco dos motores, inebriam-se com o cheiro do
combustíveis e sonham o ano inteiro com o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Além do
prazer pessoal, eles garantem a própria sobrevivência do circo do automobilismo em São Paulo.

O estudante Alessandro Padilla, o Pac-Man, acordou às 5 horas para chegar a tempo no
autódromo, no último domingo de setembro. Ele mora no Ipiranga. Há três anos trabalhando
para a empresa Speed Fever, com uma diária média de R$ 15,00 - sem direito a almoço -,
ele revela um gosto especial pela proximidade dos carros.

"A cena que mais me marcou foi a de um retardatário que escorregou após ver a bandeira
azul (que indica que há alguém ultrapassando)", diverte-se Pac-Man. "Os dois carros
bateram e um piloto jogou seu capacete sobre o outro."

A empresária Denise Frainer Barranco, da Speed Fever, diz que há voluntários de todo tipo
para o serviço. "Temos gente até do Interior", informa a mulher de Roberto Barranco, um
ex-bandeirinha que fundou o negócio em 1978. Ela diz que, como o automobilismo ainda é
um esporte amador no Brasil, a empresa não teria condições de sobreviver se não fosse o
trabalho dos fãs. "Para eles, é uma oportunidade de ver a corrida e tirar fotos e autógrafos.
" O sinalizador Carlos Alberto Cordeiro, o Cabral, de São Bernardo do Campo, confirma. "É a
forma que achamos de participar do espetáculo."

Preço - Denise admite que a paixão dos tietes tem seu preço. "Eles vêm para sofrer",
analisa. Entre os incômodos do autódromo, ela cita o clima vivaldiano. "Aqui as quatro
estações ocorrem num só dia." Quando aparece um novo voluntário - e eles aparecem
sempre, vindos dos quatro cantos da cidade -, a empresária recomenda que eles levem
o "kit do bandeirinha feliz". Ele constitui-se de água, comida, roupa de frio e capa de
chuva - apesar de São Paulo estar perdendo o título de terra da garoa, Interlagos resiste.

O perigo vivido pelos pilotos ronda também a atividade dos sinalizadores. "Quase fui
atropelado uma vez", conta o analista de sistemas e chefe de pista Walmir Olgas, o
Sombra, do Tatuapé. Apesar de ter conseguido desviar-se do Opala desgovernado,
ele pediu demissão do antigo posto 4, posteriormente modificado por motivos de
segurança. "Mas qualquer posto pode tornar-se perigoso", avalia. Ele teve mais sorte - e
inteligência - que um colega que quebrou os dois braços em um acidente de trabalho.
O motivo? "Tentou segurar um pneu que se soltara", conta ,Sombra. "Com as mãos!"

O analista de sistemas Mauro Bortolin, um dos agente do grid, também quase foi
atropelado por dois pilotos desobediente em uma corrida de Stock Car. "Sinalizei
que era para diminuírem, mas, como disputavam posição, eles vieram acelerando
e batendo um no outro", conta Bortolin "Escapei por pouco." De viagem marcada
para o Canadá, o analista quer mudar-se de país, sem deixar de lado a paixão.
"Vou ver se arrumo um bico desses lá."

• Speed Fever - Rua Trajano, 97, Lapa
Telefone: 539-3660

 

GP Brasil de F-1 é subida ao pódio

Sinalizadores esperam o ano inteiro para participar da
principal corrida no Brasil

Assistir a um GP Brasil de F1 representa, para os tietes da sinalização, uma espécie
de subida ao pódio. Boa parte do sacrifício nas corridas menos badaladas deve-se à
expectativa de participar de perto do principal evento do automobilismo brasileiro.
"É o prêmio dos bandeirinhas", define o chefe de pista Walmir Olgas, o Sombra. Ele
orgulha-se de ter conversado com vários pilotos. "Todo mundo trabalha o ano inteiro
pensando na prova."

Como a organização é mais complexa, o grande prêmio faz com que se juntem as duas
equipes paulistanas - a outra chamasse Interlagos. Nessa época, segundo Denise
Barranco, não faltam pessoas dispostas a trabalhar. "Cai voluntário de tudo que é lado",
conta. Ela diz que há quem apareça intensamente só a partir de outubro, com o objetivo
único de assistir à F-1. "De nada adianta", informa Denise. "Só participa quem tiver mais
presença durante o ano todo."

Nessa corrida para o trabalho, os bandeirinhas de primeira viagem devem conformar-se em
largar como retardatários: são somente 60 vagas para os sinalizadores da Speed Fever. Uma
das cenas comuns, quando se aproxima a data do GP, é aparecer alguém que não se via há
tempos, alegando um problema a grave para justificar a ausência. "Oi, você se lembra de mim,
Denise", dizem eles, "estou aí para trabalhar de novo..."

Entre os colaboradores mais antigos, há quem prefira ver de cima as corridas. Para isso, é
preciso virar chefe de pista, como Sombra e Carlos Alberto Cordeiro, o Cabral. Eles ficam na
torre, controlando o trabalho dos 22 postos de sinalização espalhados pelo autódromo.
"Gosto mais de ver daqui", diz Sombra. O auxiliar de compras e chefe de box Luís Cláudio
Ferreira Anjo - não é apelido - prefere ficar perto da agitarão e do ronco dos motores.
"Gosto de trabalhar em equipe", justifica. (A.L.C.)


Batismo de calouros inclui trote e apelido

Cerimônia ocorre em viagens, após iniciante ter

participado de 4 provas em Interlagos

Como a equipe de 150 pessoas da Speed Fever está sempre se renovando, os sinalizadores
mais velhos costumam organizar batismos para os calouros. A cerimônia ocorre nas viagens
para outras cidades - a empresa presta serviços em Cascavel, Londrina (PR), Porto Alegre,
Guaporé (RS), Goiânia e Brasília.

Uma das exigências é ter a experiência de pelo menos quatro corridas em Interlagos. A outra
é um mínimo de paciência diante do humor dos companheiros. Algo no estilo "vamos jogar o
tiete no lago, na areia ou no chafariz".

Os apelidos dos sinalizadores - 90% deles têm um - baseiam-se muitas vezes em episódios
ocorridos nas pistas ou nos bastidores. A funcionária pública Kátia Gomes Brandão de Moura,
mulher de Marcos Moura, o Sireninha, ganhou o seu logo após o batizado: Melzinho.

O motivo foi o ingrediente especial usado no banho de batismo: além do mel, ele incluiu todo
tipo de porcarias, de areia a óleo. Mais sorte que o casal com codinomes de diminutivos teve
um outro voluntário, segundo Melzinho, parecidíssimo com o piloto francês da escuderia
italiana Ferrari. Ele ficou com o apelido de Alesi, em homenagem ao Jean da Fórmula 1. (A.L.C.)"

Caderno "Seu Bairro - Sul" do Jornal "O Estado de São Paulo" 04 de Outubro de 1995




"Em busca do reconhecimento

Os bandeirinhas são os anjos da guarda das pistas. Eles avisam, utilizando bandeiras coloridas,
o que os pilotos vão encontrar na próxima curva: um carro atravessado na pista (amarela), um
veículo lento à frente (branca) ou caminho livre (verde).

– Na Inglaterra é uma profissão reconhecida. No Brasil, não dão importância ao nosso
trabalho – afirma Eduardo Bernardes.

Nem mesmo os pilotos, os mais interessados, valorizam seus protetores.

– 90% dos pilotos brasileiros desrespeitam as sinalizações. Os mais famosos são os piores.
Por isso que gosto de trabalhar na F-1. É só dar uma bandeira azul que eles já olham
para o retrovisor.

Quem estiver interessado em começar a carreira de bandeirinha tem que aproveitar o
curso da Speed Fever, na segunda quinzena de abril.

Todo ministrado em Interlagos, o curso dura somente duas horas e meia. Logo em seguida o
aprendiz já é colocado em um posto, como auxiliar, para aprender na prática.

Maiores informações pelo telefone 574-0453, ou pela Internet, http://www.speed-fever.com.br."

Jornal LANCE! 30 de março de 1.998






 

 © Copyright SPEED FEVER 2002
 
Desenvolvido por Webshock Internet Service
Web Designer
Pedro Rodrigo